Esta é uma história sobre 6 personagens fictícios (ou não), João, Maria, José, Ana, Pedro e Antonia. Cada um de uma parte do Brasil, que por uma astuta manobra do destino foram se encontrar lá em Budapeste. Sim, Budapeste, não Paris, não Londres, nem mesmo Roma.  Em um belo dia decidiram se encontrar e desbravar um pouco aquela cidade de beleza tão única. O dia tinha tudo para ser agradável, regado a boas conversas, um dia, leve. Mas o que é a vida sem um pouco de aventura?

Marcaram de se encontrar lá na Cidatela, para conhecer a estátua da Liberdade e apreciar um pouco a vista maravilhosa da cidade. E assim foi. Passaram um bom tempo por lá, batendo papo, brincando com a personagem número 7 (esqueci de menciona-la lá em cima), uma adorável cadelinha, até que decidiram descer para a cidade e conhecer algum outro canto.

Chegando na cidade, após pensar um pouco sobre as opções, ficou decidido que iriam para um café comer um bolo e bater mais um papinho. Para isso precisariam pegar um tram. Todos curtiram a ideia, afinal o tram é um transporte bem charmoso, que fica rodando pela cidade e alguns dos personagens ainda não o tinham utilizado, além disso, o ticket do ônibus serve para o tram também. “- Perfeito, vamos lá!”.

A viagem corria tranquila, mas faltando um pouquinho para chegar a aventura começou: uma senhora chega perto de Maria e diz alguma coisa. Maria sem entender o que foi dito acha que a tal senhora queria sentar e começa a se levantar. A senhora faz ela sentar novamente e começa a falar mais uma vez. Maria então se dá conta que a tal senhora era uma fiscal do transporte e estava solicitando o ticket. “-Ah, tudo bem, eu tenho o ticket, então vai estar tudo certo” Ela então entrega o ticket e as coisas se complicam. A fiscal afirma que o ticket não está certo. João, José, Ana, Pedro e Antonia percebem que há algo errado, afinal a fiscal pediu para descerem do tram e resolverem a questão na rua.

E lá foram os sete. A cena que se segue é difícil de descrever. Duas fiscais que falam húngaro e quase nada de inglês, 6 brasileiros que obviamente falam português, não falam nada de húngaro, mas que também falam inglês. As fiscais querem que eles paguem uma multa por estarem com os tickets errados. Eles por sua vez não aceitam, afinal o site do transporte húngaro diz que o mesmo ticket poderia ser usado em todos os transportes em um certo período de tempo. Todos tentam defender seu lado. A multa sairia salgada (€52 por casal! Não é preciso nem falar sobre quanto daria isso em real)! Os personagens nem ao menos tinham aquela grana ali.

As senhoras que não conseguem resolver a situação ligam para o escritório e pedem para algum dos personagens falarem com o chefe delas. João se dispõe e começa uma série de tentativas de reverter a situação, afinal ninguém ali estava agindo de má fé, o site dizia que eles estavam certos (mesmo os funcionários dizendo que não). Depois de muito chorar e dizer que não tinha  dinheiro, pois é apenas um estudante e que todo mundo ali estava na mesma situação, o chefe decide que eles podem pagar apenas metade da multa. Mas ainda assim era injusto. A informação está no site. José também tentar falar com o tal chefe pelo telefone, mas ele mantém o que tinha dito.

A situação estava muito complicada e chegou um ponto em que as fiscais disseram que ou eles pagavam, ou iam para a delegacia. “Hey, calma aí! Se formos para a delegacia só Deus sabe o que vai acontecer.” (só quem já ouviu húngaro sabe o quão impossível é entender qualquer coisa). Rendidos, os nossos 7 personagens decidem pagar, começa um corre corre para ir no caixa eletrônico pegar o grana, outros emprestam um pouco até que chegam ao valor solicitado.  Entregam o dinheiro para a fiscal. Aí acontece a parte mais inesperada da história.

Uma das fiscais pega metade do dinheiro e entrega de volta para João. A interrogação fica estampada na cara de todos. O chefe mandou cobrar um valor e elas cobraram a metade. Então algumas perguntas permearam e ainda permeiam a cabeça dos nossos personagens. “Será que o chefe disse para deixar passar?” “Será que após serem tão pressionados, eles estavam sendo, de fato, injustiçados?” Não existem respostas para essas perguntas. A única coisa que se sabe é que esses personagens sempre terão uma história para contar: A história do dia em que eles foram multados, ou talvez injustiçados, em Budapeste. E que eles lembrarão dessa história toda vez que virem um tram. A lição? Mesmo se informando você sempre estará sujeito a situações semelhantes, principalmente quando você está fora do seu país, em um lugar com idioma tão diferente do seu.

———————

Essa foi uma forma descontraída de contar uma história que aconteceu  com a gente e com mais dois casais de nômades que conhecemos lá em Budapeste. O dia em que fomos multados no transporte público de Budapeste, mesmo tendo lido no site oficial que estávamos com o bilhete certo. =P

Compartilhe esse post
Sem comentários

DEIXE UM COMENTÁRIO